GAROTOS
E GAROTAS DE PROGRAMA: UMA EXPRESSÃO DA SEXUALIDADE HUMANA.
Não se discute o quanto esta atividade pode ser terrível, degradante. Uma porcentagem significativa destes sujeitos é composta por indivíduos, na maioria jovens, que procuraram a cidade grande em busca de melhores condições de vida. Mas, lá chegando e dando continuidade a um processo de exclusão, são obrigados a recorrer à prostituição como única forma de sobrevivência. Por outro
lado, existem "profissionais do sexo" que se dedicam a esta
atividade por razões as mais diversas. Embora seja muito difícil
traçar um inventário que englobe todas as possibilidades
que levariam um jovem ou uma jovem a prostituir-se, alguns fatores repetem-se
com certa regularidade: a excitação provocada pela situação
nova, imprevisível e totalmente desconhecida que pode revelar-se
potencialmente perigosa: "o que ele/ela quer de mim?" "para
onde serei levado?" "o que acontecerá comigo?";
o fato de "entregar-se" a alguém sobre quem nada se sabe;
o prazer de ter o corpo admirado, olhado, fetichizado, (o que pode ser
uma importante fonte de reconhecimento quando, em outros aspectos da vida,
o sujeito sente-se anulado); o prazer em dar prazer ao outro; a excitação
de ser objeto de alguém pois, afinal, "é você
que está pagando"; o jogo erótico que se expressa na
negociação do preço em função de um
serviço mais personalizado, e assim por diante. Igualmente significativos
são os casos onde a prostituição é utilizada
como uma "desculpa", "isso é apenas um trabalho",
para viver-se uma forma de relação - homossexual - que,
de outra forma, seria intolerável. Se alguma
conclusão pode ser tirada desta expressão da sexualidade,
é que ela nos informa que o sexual, enigma por excelência
do ser humano, apresenta-se em diferentes registros, contendo formas de
prazer diversos e múltiplos. A resposta que cada sujeito tentará
dar ao enigma que sua própria sexualidade lhe impõe é
única como é único cada ser humano. Paulo
Roberto Ceccarelli* e-mail:
pr@ceccarelli.psc.br
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